Wasso Wasso

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O fotógrafo que se segue é o Yuri Rosa, mas gosta de ser conhecido artisticamente como “Wasso Wasso”. É arquitecto de profissão, logo, percebe-se de onde vem a sensibilidade artística e visual que um fotógrafo deve ter.

Conheci-o num encontro das “Angolanas Naturais e Amigos”, onde várias mulheres com o cabelo natural se deixaram fotografar de forma artística por vários fotógrafos talentosos e entre eles estava o Yuri. Posso dizer que foi simpatia à primeira vista, uma vez tivemos oportunidade de conversar e conhecer-nos um pouco durante o encontro.

E como não podia deixar de ser, fiz questão de o convidar para uma entrevista aqui para o meu blog. Apesar de ser exageradamente tímido, lá o consegui convencer a muito custo, a  responder a algumas perguntas para serem publicadas aqui. Cá vai:

1. Apresenta-te

Sou o yuri Rosa, com o nome artisitico “Wasso Wasso”, estou com 35 anos de idade, nasci em Luanda, e vivo actualmente no Camama.

2. O que é para ti ser fotógrafo?

Para mim, ser fotógrafo é uma modo de vida, que começa nos olhos e continua num click com o dedo. Mas nunca acaba porque as fotografias ficam para eternidade.

3. Porque escolheste esta profissão  e quando isso foi?

Se for a enquadrar a fotografia nas artes e ofícios, é a única profissão que tenho. Mas fora disto, sou arquitecto e amante da fotografia. Entretanto, assumo que a fotografia tem uma força que me atrai porque ela nunca é igual a si mesma, ela leva-nos a várias interpretações e trasmite-nos diversas mensagens. A capacidade de tentar entender as mensagens da fotografia, leva-me a apaixonar-me por ela.

4. Tens algum tipo de formação em fotografia?

Formação, não. Aprendo com os amigos que fazem fotografia. Fotografia é prática.

5. Qual o teu percurso até agora? Que tipo de trabalhos já fizeste e em que trabalhos/projectos estás envolvido agora?

Eu não tenho caminho na fotografia. Comecei a fotografar em Benguela somente para começar. Voltei para Luanda e andava à procura de fotógrafos para aprender a fotografar, e nisto participei num 1º concurso (Organizado pela ONG – MOSAICO) onde ganhei o prémio do segundo lugar, a seguir fui convidado para particpar no Projecto VêSó… ainda estou a engatinhar.

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6. Como descreves a profissão de fotógrafo em Angola actualmente? Existem muitas barreiras?

Sei pouco do contexto do fotógrafo em Angola, mas sei que há fotografos que se sustentam com seu trabalho porque actualmente há muitas pessoas que querem registar momentos da sua vida, eventos, etc, e recorrem aos profissionais, isto no lado mais comercial. Mas há uma onda de fotógrafos que fazem fotografia por arte, logo fazem-na por paixão e esperam um dia fazer uma exposição. Sobre as barreiras, elas existem sim, mas ela está ligada mais a concorrência entre fotógrafos, porque os que sabem, estão a partilhar pouco e para quem está começar, isto é uma barreira.

7. Consideras o mercado da fotografia no País maioritariamente masculino?

Sim considero maioritamente masculino, mas em termos de qualidade fotográfica, acho que há um equilibrio entre ambos os sexos.

8. O que mudavas no cenário da fotografia em Angola?

Eu mudaria a visão dos fotógrafos com tendência para o foto-jornalismo para realizarem fotografias mais artísticas, ou seja, o fotógrafo que possui uma câmara muito cara, não pode procurar somente coisas como o lixo para fotografar, por exemplo.

9. Já conquistaste algum prémio de fotografia? Se sim, que impacto isso teve na tua vida?

Já conquistei sim. O Tema estava relacionado com alfabetização, foi organizado pela ONG – MOSAICO e obtive o segundo lugar. Por ser o primeiro prémio, marcou-me muito, fez-me ver que tinha que me superar cada dia para levar a fotografia mais a sério.

10. O que ambicionas como fotógrafo?

Eu ambiciono ter equipamentos mínimos para realizar um estudo atropológico dos povos de Angola.

11. Existem fotógrafos que te inspiram? Se sim, quem são? (A nível nacional e internacional)

Sim, o inglês Lee Jeffries e o Angolano Adalberto Gourgel (in memoriam)

12. Imaginas-te a fazer outra coisa?

Imagino sim, muitas coisas, gosto de aventuras, mas em tudo que faço procuro o espaço para fotografia. Só não me imagino a cozinhar (não gosto e nem quero aprender).

13. Estás inserido em algum grupo / associação / Clube de fotografia?

Estou sim, o Grupo “Vê Só!”

14. Gostas de ser fotografado? Se sim, és exigente com o resultado?

Gosto de ser fotografado mas por conhecer um pouco de fotografia, penso sempre que haverá falhas do fotógrafo e em mim próprio.

15. Que equipamento fotográfico utilizas?

Eu utilizo uma Canon 6D, lentes Sigma 24-70mm f2.8 e uma Canon 50mm 1.4…tenho um tripé támbem.

16. Que conselhos darias e que dicas podes dar a quem quer iniciar-se na carreira de fotógrafo?

O conselho é: antes de fotografar, que seja amante da fotografia e depois experimente fotografar com qualquer aparelho de fotografar desde telefone, tablet, etc. A dica é que não comece em fotojornalismo para retratar os defeitos de um sítio, mas sim todo o resto vale.

17. Tens algum contacto ou página na internet que gostarias de partilhar?

Tenho sim, na página do facebook – WASSO WASSO PHOTOS, ou na instagram – WASSO_WASSO.

De seguida, alguns trabalhos fotográficos do Yuri.

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Chilala

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O Chilala é editor chefe de fotografia de um jornal  e desde que conheci o seu trabalho fiquei logo fascinada.

Na minha opinião, a maioria dos fotógrafos profissionais em Angola não são muito bons e o Chilala é dos poucos bons que conheço. Existem sim inúmeros fotógrafos amadores que ainda não o fazem profissionalmente e que têm uma qualidade impressionante…

Mas voltando ao Chilala. No meu casamento, tive dois fotógrafos a cobrir o evento, um deles, o Chilala. Graças a Deus que o tinha, pois se não fosse isso, não teria aquelas fotos artísticas e cheias de sentimento que todos os casamentos devem ter. Ele (à semelhança de muitos fotógrafos) não gosta de fotografar casamentos mas tive o privilégio de ele ter aceite fotografar o meu 🙂

Vamos conhecê-lo um pouco melhor com a entrevista que se segue.

1. Apresenta-te

Chamo-me Chilala Carlos Herculano Moco, nascido à 8 de Maio de 1977, no município da Caála, provincia do Huambo. Resido em Talatona, Luanda.

2.O que é para ti ser fotógrafo?

Para mim ser fotógrafo, como acontece em qualquer outra profissão, é antes de tudo ser-se humano. É ser-se verdadeiro com o que fazemos. É sermos capazes de utilizar os nossos sentidos naturais, de forma a captarmos (e só aí entra a camara fotográfica) algo tão real e marcante da actividade humana ou à si transcendente. 80% do resto que vem a seguir é porque nessecitamos de beber e comer.

3. Porque escolheste esta profissão e quando isso foi?

Um amigo um dia disse-me “quem muito escolhe, pouco acerta”. Disse-me isso por conhecer-me bem, logo por saber que eu mostrava inclinação para muitas actividades. Na altura estudava relações internacionais, o que não deixava de ser  uma opção, pois desde muito cedo me interessei em conhecer mundos e culturas diferentes. Mas entretanto algo faltava enquanto estudava. Por alguma razão comecei a imaginar-me sentado num escritório a olhar para montes de papéis. Foi aí que comecei a perceber que o que mais gostava nos livros eram as imagens. Engraçado, pois isso acontecia mesmo quando os livros tinham apenas palavras.

4. Tens algum tipo de formação em fotografia?

Fiz um curso técnico profissional de fotografia geral, o qual terminei com alguma distinção, na ETIC (Escola Técnica de Imagem e Comunicação), em Lisboa. Para além disso, ainda em Lisboa, participei em alguns workshops com algum impacto, nomeadamente um seminário de fotojornalismo orientado por dois grandes fotógrafos da agencia Magno: Erich Lessing e Alex Majoli. Confesso que este último marcou-me profundamente.

5. Qual foi o teu percurso até agora? Que tipo de trabalhos já fizeste e em que trabalhos estás envolvido agora?

Comecei com trabalhos promovidos pela escola onde andei. Com alguns dos meus colegas, por exemplo, precorremos Portugal inteiro para fotografar todos os funcionários da Portugal Telecom. Foi uma experiência interessante, sobretudo pelas viagens e o contacto com pessoas das mais rabujentas às mais afáveis. Ainda pela mesma escola, fui escolhido para fazer parte de um “team” de produção, para fazer imagens do primeiro Rock in Rio Lisboa (2004). Nunca me esqueço do momento quando, num instantante, a cantora de fado Mariza olhou sorridente para a minha objectiva e eu não a ter registado focada. Foi um desastre para mim (risos). Publiquei algumas fotos para a revista Cais (sobre os sem abrigo), e uma revista de moda, que embora sem grande impacto, foi sem dúvidas um previlégio para quem estava a começar. De regresso à Angola, a febre do surgimento de novas revistas não me deixou desempregado… Com o suporte do fotógrafo angolano Sergio Afonso, comecei a fotografar para a revista Caras Angola (embora na altura sonhasse com revistas como a National Geographic), o que foi sem dúvidas o melhor teste de regresso a casa (aqui também tive que fotografar pessoas muito zangadas). Entretanto, e paralelamente, fui tendo variadíssimos trabalhos como freelancer, desde eventos de empresas de renome à retratos de pessoas singulares diversas. Hoje sou fotógrafo e coordenador do departamento de fotografia do grupo Medianova. A pergunta a seguir será “E o amanha?”. Bem, o mais provável é que a resposta venha a provar-se errada (risos).

IMG_3334 copy6. Como descreves a profissão de fotógrafo em Angola actualmente? Existem muitas barreiras?

Acredito que existam muitas barreiras na generalidade das profissões. Mas também é verdade que grande parte das dificuldades são compreensíveis nesta Angola que é nossa. Sobre a profissão fotógrafo específicamente, diria que talvez falte um pouco mais de atitude. É preciso arriscar mais, para que a vida faça sentido para as gerações vindouras. E arriscar pode ser pegar na tua maquina fotografica, e ir até aos confins desta terra, pois não é feita apenas de petróleo e diamantes. É sobretudo feita de pessoas e vivências.

7. Consideras o mercado da fotografia no País maioritariamente masculino?

Penso que isso é evidente no mundo inteiro. Porquê?! Bem… Diz-me tu (risos).

8. O que mudavas no cenário da fotografia em Angola?

Absolutamente nada. Deixaria como está só para ver o que acontece. Bem, pelas mulheres e pelos homens, espero sempre estar vivo no lugar e momento certo.

9. Já conquistaste algum prémio de fotografia? Se sim, que impacto isso teve na tua vida?

Prémio nacional de jornalismo 2009, na categoria Fotojornalismo. Fui várias vezes nomeado para o Prémio Maboque de Jornalismo, nas catergorias Imagem do Ano e Fotografia respectivamente. Eu gosto de dizer que não se deve trabalhar para prémio algum, mas é sem sombra de dúvidas gratificante quando os ganhamos. É claro que por isso não precisamos andar por aí a dizer “Olhem, eu tenho um Oscar!”, mas sim dizer a nós mesmos “Puxa, agora terei de ser ainda mais responsável!”. Devo apenas dizer que é muito bom ganhar prémios, e o que é “bom” (embora relativo, mas justo) terá sempre algum impacto nas nossas vidas.

10. O que ambicionas como fotógrafo?

Estou a trabalhar nisso… Pelo menos mentalmente. Bem, talvez não seja já para amanhã.

11. Existem fotógrafos que te inspirem? Se sim, quem são? (A nível nacional e internacional)

Muitos, e com o tempo vou descobrindo mais. Nacionais, e da minha geração, gosto pessoalmente dos trabalhos de Sergio Afonso, Kiluanji Kia Henda, Edson Chagas (há mais),… Dos mais kotas, admiro José Silva Pinto, Joe Carvalho,… (claro, também há mais). Internacionalmente, embora não chegue perto sequer, inspiro-me muito em Richard Avedon, Annie Leibovitz, Siphiwe Sibeko, Dorothea Lange, James Nachtwey, Alex Majoli, Zhang Yaxin,… (bem, acho melhor ficar por aqui).

12. Imaginas-te a fazer outra coisa?

Com certeza, se for extremamente necessário, porquê não?… Um sonho de criança, entre muitos outros, era o de ser piloto de avião. E não sei bem porque raio, mas desde há muito que quero escrever um livro com o título “A Mulher do Piloto”.

13. Estás inserido em algum grupo / associação / clube de fotografia?

Embora fisicamente distante, foço parte da ARIA (Associação dos Reporteres de Imagem de Angola). Não faço parte de uma exelente ideia de grupo que é o AF (Amigos da Fotografia), mas considero-me um grande amigo.

14. Gostas de ser fotografado? Se sim, és exigente com o resultado?

Na verdade não faço muito caso. É claro que também gosto de ver o resultado, mas, normalmente, nos casos em que não me sinto àvontade com o fotógrafo, fico a perguntar-me se ela ou ele sabe bem o que está a fazer.

15. Que equipamento fotográfico utilizas?

Ups, uso qualquer coisa que dê para captar imagens. Mas vou já confessar que, no bate-boca Nikon/Canon, eu sou Nikon (risos). Normalmente utilizo as Nikon D3 e D4, com lentes que variam entre 14-24 mm à 70-200 mm. Gosto muito da Nikkor 60mm micro (fixa) e da 85mm (também fixa… Tanto da Nikon como da Canon). Mas qualquer que seja o material que utilizemos, deve haver sempre um prósito. Não é?

16. Que conselhos darias e que dicas podes dar a quem quer iniciar-se na carreira de fotógrafo?

Sou apologista de que a paciência (ou esperança, como quizermos entrepertar) é a última a morrer. Mesmo que fiquemos cegos, tem de haver sempre alguem para operar a maquina, seja ela qual for. O importante é que sejamos nós. Mas claro, é preciso saber “clicar”, e é agora!

17. Tens algum contacto ou página na internet que gostarias de partilhar?

http://www.chilalamoco-fotografia.com. Não se adimirem com o que virem, pois está há quase 9 anos em construção.

Não me foram disponibilizadas imagens de trabalhos do Carlos mas tomei a liberdade de colocar aqui algumas fotos do meu casamento (neste caso, dos preparativos) tiradas por ele.

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Hindhyra


Conheci recentemente uma fotógrafa e artista plástica angolana, a Hindhyra Mateta. Em 2008 ela foi vencedora do concurso de fotografia BESA Foto, que acontece todos os anos.

Ela é a fotógrafa oficial de um grupo no qual estou inserida, as Angolanas Naturais. As Angolanas Naturais, um grupo criado no Facebook, é uma plataforma de debates de âmbito sócio-cultural aberto a todas as pessoas que valorizam o uso do cabelo natural (sem químicos,  alisamentos, etc.). Poderão encontrar mais informação sobre o que é ser uma Angolana Natural no seguinte endereço: http://angolanasnaturais.wordpress.com

Parece-me que a Hindhyra tem a vida que eu sonhava pois trabalha com imagem e criatividade, coisa que ultimamente tenho tido muito pouco tempo para me dedicar.

Abaixo poderão ver o resultado duma entrevista que  lhe fiz e que julgo que dá para conhecê-la um pouco melhor. Agradeço-a por ter aceite ser a primeira profissional de fotografia que pude dar a conhecer aqui. Tenho a certeza que esta menina vai longe…

1. Apresenta-te

Sou a Hindhyra, nascida em Luanda há 27 anos e resido entre Luanda e o Lubango com perspectiva de me mudar para o Lubango.

2. O que é para ti ser fotógrafo?

É antes de tudo olhar com olhos de ver, ter sensibilidade, coragem, atrevimento, imaginação, atenção, respeito, amor, humildade, como tudo na vida, é preciso ser-se capaz de interiormente cultivar o máximo de virtudes possível. 

3. Porque escolheste esta profissão e quando isso foi? 

Trabalho em várias coisas e uma delas é a fotografia, estou para aí inclinada desde 2009 por nesta altura ter conseguido comprar a minha primeira máquina fotográfica profissional. Nesta altura era estudante trabalhadora e trabalhava numa área em que me sentia literalmente ‘’um peixe fora da água’’ também nunca sonhei em ser fotógrafa profissional, aconteceu tudo muito rápido, tive que deixar o emprego para dar seguimento aos estudos e foi nesta fase em que paulatinamente fui-me entregando mais à fotografia também graças ao facto de ter ganho o Prémio de Imagem e Fotografia do BESA (Banco Espírito Angola) em finais de 2008. Ter ganho este prémio foi sem dúvida o maior impulso à minha inclinação para a fotografia de forma mais séria, responsável, artística e profissional.

4. Tens algum tipo de formação em fotografia? 

Sim, participei em Luanda em quatro workshops de fotografia com excelentes fotógrafos, workshops ministrados em Luanda pelas embaixadas francesa, brasileira e portuguesa respectivamente. Pretendo fazer mais formações do género e até formações mais aprofundadas.

5.  Qual foi o teu percurso até agora? Que tipo de trabalhos já fizeste e em que trabalhos/projectos estás envolvida agora?

Até fiz trabalhos como fotógrafa de casamentos (apesar de não ser o que mais me atrai, mas é o que até agora permite-me arrecadar uns kwanzas consideráveis), trabalhei igualmente como fotógrafa de eventos corporativos (que definitivamente é o que menos gosto de fazer), como fotógrafa de eventos de entretenimento (destes já gosto mais), também fiz, faço e pretendo fazer sempre trabalho de voluntariado para algumas associações sem fins lucrativos e instituições de caridade, tive pequenas experiências em direcção fotográfica para cinema (algo de que gosto e que pretendo explorar e evoluir). Relativamente aos projectos tenho vários em aberto, ou seja foram iniciados mas ainda não estão terminados, são projectos que pretendem dar notoriedade à criatividade  característica de quem tem muitas carências, pretendem valorizar a capacidade inventiva destas pessoas, são projectos que envolvem angolanos em busca do pão do dia, angolanos que todos os dias se levantam e saem à rua com o objectivo de conseguir alguns trocos para sustentar a família, são projectos que pretendem dar a conhecer ao mundo o sorriso angolano apesar dos pesares. Recentemente envolvi-me num projecto que visa a valoriazação do cabelo natural no seio dos africanos e essencialmente  das angolanas e angolanos que desde tenra idade aprendem que o seu cabelo é ruim, é feio, é difícil de pentear, dá trabalho, é sinónimo de falta de higiene, de irresponsabilidade, e de um sem fim de coisas negativas. O projecto surje exactamente para mostrar que tudo isto são atitudes erradas e preconceituosas. Pretende-se mostrar a beleza da cabeleira natural e valorizar algo que nasce connosco e faz parte da nossa natureza. Eu dou o meu contributo através da fotografia.

6. Como descreves a profissão de fotógrafo em Angola actualmente? Existem muitas barreiras?

Para teres uma ideia, há dias fui a uma repartição pública pedir informações para adquirir um documento e ele disse que tinha que ter uma declaração de serviço e eu disse que não estava empregada em empresa nenhuma e que nem tinha uma empresa minha, que prestava serviços a terceiros e que outros mas trabalhava de forma independente. Então o senhor virou-se para a pessoa que estava comigo e disse: Ela não trabalha então não sei como é que vai conseguir o documento que precisa, como não trabalhava vai ter que pedir uma declaração à adminsitração comunal para que possa seguidamente pedir os documentos à repartição fiscal. Isso para dizer que as pessoas ainda não valorizam o tarbalho como deviam, tenho até familiares que perguntam porquê que eu não procuro emprego ‘‘ao invés de ficar só aí a tirar fotos’’ é exactamente esta a expressão que usam. Com relação às pessoas a quem prestamos o serviço, pensam sempre que o freelance pode trabalhar de graça, que tem sempre que cobrar o mínimo possível e que pode sempre oferecer as fotos. É realmente uma situação muito complicada mas felizmente exitem algumas pessoas que valorizam.

7. Consideras o mercado da fotografia no País maioritariamente masculino? 

Sem dúvidas, pelo menos até onde sei existe um número ínfimo de mulheres fotógrafas, as que existem estão maioritariamente em Luanda e o número inclui  angolanas e estrangeiras. Conheço algumas províncias de Angola e não me recordo de ter visto mulheres fotógrafas por lá, estão concentradas em Luanda, quanto aos homens a situação é idêntica, no concerne a estarem concentrados em Luanda.

8. O que mudavas no cenário da fotografia em Angola?

Primeiramente as coisas a nível do País precisam de ser de descentralizadas. Tornar as outras cidades do País potenciais  locais para onde as pessoas gostariam de  fixar residência a partir daí Luanda deixaria de ser o único sítio onde a maioria dos angolanos  se dirige à procura de melhores condições, com isso o actual cenário da fotografia seria completamente alterado, as melhores empresas de publicidade ou de produção multimedia, audio-visual, os negócios ligados à moda, produção de eventos diversos (entretenimentos, eventos corporativos, familiares, etc), não ficariam afunilados em Luanda e isso permitiria termos os profíssionais do ramo fotográfico espalhados pelo país. Precisamos igualmente  de ter vários fornecedores de material fotográfico profissional  e de serviço especializado. Finalmente e não menos importante é preciso termos centros de formação e já agora sonhando um bocado mais alto, conseguir que se fabricasse em Angola equipamento fotográfico e afins, porque não sonhar, se até  o País é rico =)

9. Já conquistaste algum prémio de fotografia? Se sim, que impacto isso teve na tua vida?

Em 2008 ainda considerando-me fotógrafa amadora venci o prémio de imagem e fotografia do BESA (Banco Espírito Santo Angola) que como já referi anteriormente, teve um grande impacto na minha vida.

10. O que ambicionas como fotógrafa?

Posso resumidamente dizer que pretendo aprender cada vez mais e ao mesmo tempo transmitir o que sei, essencialmente de forma gratuita aos menos previlegiados que se conseguirem dar um rumo às suas vidas através daquilo que eu transmitir verei realizado um dos meus maiores sonhos e uma das minhas maiores ambições, que é mudar positivimente a vida daqueles que em algum momento  deixaram de acreditar num futuro risonho.

11. Existem fotógrafos que te inspiram? Se sim, quem são? (A nível nacional e internacional)

Definitivamente sim. Em Angola gosto do trabalho de Paulino Damião (Kota 50 ou Mestre 50), Massalo Araújo, Chilala Moco, Rui Sérgio Afonso, Kiluanji-Kia-Henda, Kamene Traça e agora que conheci mais o teu trabalho posso dizer que me sinto inspirada a explorar mais a fotografia de família. Internacionalmente gosto do trabalho de Malick Sidibé (Mali),Ian Ruhter(U.S.A), Mambu Bayoh (África Ocidental, segundo ele), João Paulo Barbosa (Brasil), Nabil Boutros (Egipto), Ash Ismael, Mauro Pinto, Luís Picolo e Wushi Jay (Moçambique), Artur Cabral (Portugal), Zeno Petersen (África do Sul), Jason W. Lee. 

12. Imaginas-te a fazer outra coisa?

Sim, várias coisas d’entre as quais destaco o vídeo, design nos mesmos moldes ou seja, de forma independente e também gostaria muito de enveredar pela docência.

13. Estás inserida em algum grupo / associação / clube de fotografia?

Online estou inserida em vários grupos de fotografia, com fotógrafos angolanos e estrangeiros, aprende-se muito nestes grupos, o intercâmbio de ideias é uma constante e posteriormente as pessoas aproximam-se fora do mundo virtual o que é sem dúvida a parte mais importante e interessante.

14. Gostas de ser fotografada? Se sim, és exigente com o resultado?

Adoro ser fotografada e sim sou exigente com o resultado.

15. Que equipamento fotográfico utilizas? 

Essencialmente material da Canon (Camera e lentes), tripé, flash, o básico, por falta de condições financeiras para aquisição de mais material que todos nós sabemos que não é nada barato. A intenção é conseguir uma posição confortável ou seja ter um mínimo de material que permita explorar e melhorar o tipo de fotografia que faço e pretendo fazer.

16. Que conselhos darias e que dicas podes dar a quem quer iniciar-se na carreira de fotógrafo?

Gostar do que faz, não fazê-lo por obrigação ou moda, gostar, pesquisar, e clicar…muito.

17. Tens algum contacto ou página na internet que gostarias de partilhar?

Tenho algumas coisas online que podem ser vistas nos seguintes links:

www.flickr.com/photos/hindhyra

www.facebook.com/hindhyraart

http://hindhyra.tumblr.com/

De seguida, alguns trabalhos fotográficos da Hindhyra.